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5 razões para os médicos não terem medo da Inteligência Artificial

Publicado por Felipe Affonso em

mmustafabozdemir/iStock

No alvorecer da Quarta Revolução Industrial, a automação e a digitalização estão virando o mercado de trabalho de cabeça para baixo. Muitos temem que os robôs, I. A. e automação, em geral, levem embora seus trabalhos sem deixar alternativas. As mesmas ansiedades surgiram nos cuidados de saúde sobre a inteligência artificial tomando o lugar dos radiologistas, robôs superando as habilidades dos cirurgiões ou assumindo empregos na indústria farmacêutica.

Uma voz de renome na tecnologia, Kai-Fu Lee, fundador da empresa de capital de risco Sinovation Ventures disse à CNBC que a I.A. será maior do que todas as outras revoluções tecnológicas, e os robôs provavelmente substituirão 50% de todos os empregos na próxima década. O investidor do Vale do Silício, Vinod Khosla, chegou a afirmar que as máquinas substituirão 80% dos médicos no futuro em um cenário de saúde dirigido por empresários, e não por profissionais da área médica. No final de 2016, o Professor Geoffrey Hinton, o padrinho das redes neurais, disse que “é bastante óbvio que devemos parar de treinar os radiologistas”, pois os algoritmos de percepção de imagem logo serão demonstravelmente melhores que os humanos.

Eles estão simplesmente errados. Todos eles. Embora muitos sinais apontem para o fato de que I.A. vai mudar completamente o mundo da medicina, e muitas outras tecnologias também terão um efeito transformador sobre a indústria, a afirmação de que a maioria dos profissionais médicos irá desaparecer, é temerosa e irresponsável. Por exemplo, isso poderia assustar os estudantes de medicina que pretendem se tornar radiologistas. Em sua apresentação na GPU Tech Conference em San Jose em maio de 2017, Curtis Langlotz, professor de Radiologia e Informática Biomédica na Universidade de Stanford, mencionou como recebeu um e-mail de um de seus alunos dizendo que estava pensando em entrar na área de radiologia, mas não sabe mais se é uma profissão viável.

A Saúde irá precisar de humanos no futuro

Bruno Mangyoku

Acreditamos que investidores como Vinod Khosla não compreendem inteiramente o setor de saúde e, portanto, sua visão não vai mudar. Nunca. De acordo com um relatório de Carl Benedikt Frey e Michael A. Osborne da Universidade de Oxford, profissionais que cuidam de registros médicos, técnicos de informação em saúde e secretários médicos são os trabalhos mais prováveis ​​de serem informatizados no futuro, mas os médicos e cirurgiões têm apenas 0,42% de chance de suas profissões serem automatizadas.

Não me entenda mal, a I.A. aparecerá nos cuidados de saúde nos próximos 10–15 anos. Por exemplo, Hugh Harvey, radiologista e acadêmico clínico, estima que em 10 anos usando I.A., essa tecnologia fará parte da rotina diária do atendimento ao paciente. Anna Fernandez, Líder de Informática de Saúde da Booz Allen Hamilton disse em 2017 que dentro de três anos teríamos muitos algoritmos de aprendizado de máquina em testes piloto clínicos ativos e uso aprovado nos EUA.

Além disso, a I.A. vai transformar o que significa ser médico: algumas tarefas desaparecerão, enquanto outras serão adicionadas à rotina de trabalho. No entanto, nunca haverá uma situação em que a incorporação da automação, seja um robô ou um algoritmo, tome o lugar de um médico. Aqui estão as 5 razões para isso.

1) Não podemos substituir a empatia

Mesmo que o leque de tecnologias ofereça soluções brilhantes, seria difícil para elas imitar a empatia. Por quê? Porque no cerne da empatia, há o processo de construção da confiança: ouvir a outra pessoa, prestar atenção às suas necessidades, expressar o sentimento de compaixão e responder de uma maneira que a outra pessoa saiba que foi entendida.

No momento, você não confiaria em um robô ou algoritmo inteligente com uma decisão que alterasse a vida ou mesmo com uma decisão de tomar ou não analgésicos. Tomemos o exemplo do NHS (sistema de saúde do Reino Unido) e sua experiência para aliviar a carga em suas linhas de saúde com chatbots. Os pacientes que participaram do estudo indicaram que usariam o sistema para marcar uma consulta com o médico mais rapidamente, em vez de seguir as recomendações de um chatbot, ou seja, utilizariam a tecnologia em um processo burocrático, mas ainda conversariam com um médico a respeito do diagnóstico. Isso pode mudar no futuro em caso de questões de saúde mais simples e os pacientes assumirem mais responsabilidades em seus cuidados, mas talvez nunca consigamos imaginar cuidados de saúde sem empatia humana. Precisaremos de médicos segurando nossas mãos enquanto nos informam sobre um diagnóstico de mudança de vida, sua direção enquanto fazemos algum tipo de terapia e seu apoio em geral. Um algoritmo não pode substituir isso. Nunca.

2) Os médicos têm um método de trabalho não linear

Existe um episódio da série de televisão House M.D., onde a equipe não conseguiu descobrir como um menino poderia ter sido envenenado. Eles consideraram muitas opções: drogas, intoxicação alimentar, envenenamento por pesticidas. Para cada diagnóstico possível, eles sugeriram uma opção de tratamento diferente. Cada um deles fez o paciente piorar — até que descobriram, por acidente, que o menino teve contato com um inseticida a partir de uma calça jeans, que ele comprou de um vendedor ambulante. O menino não lavou a peça de roupa antes de usá-la, e dessa forma a pele dele absorveu o veneno.

Nenhum algoritmo poderia ter feito esse diagnóstico. Embora os dados, as medições e a análise quantitativa sejam uma parte crucial do trabalho de um médico — e será ainda mais crítico no futuro — estabelecer um diagnóstico e tratar um paciente não são processos lineares. Requer habilidades de criatividade e resolução de problemas que algoritmos e robôs nunca terão.

Os pacientes e seus estilos de vida variam de acordo com o grau em que as pessoas diferem. Doenças têm o mesmo recurso. Assim, nenhum caso é o mesmo; cada um deles requer a atenção de médicos humanos. Até o surgimento de soluções digitais complexas, os médicos traduziram dados provenientes de dispositivos médicos simples em decisões médicas. No futuro, a tarefa será a mesma — eles só usarão tecnologias mais avançadas.

3) Tecnologias digitais complexas exigem profissionais competentes

AS novas tecnologias utilizadas na saúde se tornarão cada vez mais sofisticadas e exigirão a competência de profissionais médicos qualificados, independentemente de ser sobre robótica ou IA. Tomemos o exemplo do robô cirúrgico mais conhecido, o Sistema Cirúrgico da Vinci. Ele possui um sistema de visão 3D de alta definição ampliado e minúsculos instrumentos de pulso que se dobram e giram muito mais do que a mão humana. No entanto, os cirurgiões têm que aprender a operá-lo e é preciso dominá-lo.

Da mesma forma, observe o IBM Watson. Seu programa exclusivo para oncologistas — entrevistamos um dos professores que trabalham com ele — fornece aos médicos opções de tratamento baseadas em evidências. No entanto, são apenas médicos e seus pacientes que podem escolher o tratamento, e apenas os médicos podem avaliar se o algoritmo inteligente apresentou sugestões potencialmente úteis. Nenhum robô ou algoritmo poderia interpretar claramente desafios complexos e de múltiplas camadas — envolvendo a psique. Enquanto eles fornecerão os dados, a interpretação permanecerá sempre um território humano.

4) Sempre haverá tarefas que algoritmos e robôs nunca poderão completar

Médicos, enfermeiros e outros membros da equipe médica têm muitas tarefas monótonas e repetitivas para completar no seu dia-a-dia. Um estudo diz que nos Estados Unidos, o médico médio gasta 8,7 horas por semana na administração. Os psiquiatras passaram a maior proporção de suas horas de trabalho com papelada (20,3%), seguidos por internos (17,3%) e clínicos gerais (17,3%). Esses tipos de tarefas e procedimentos podem ser automatizados — e deveriam ser.

No entanto, existem responsabilidades e deveres que as tecnologias não podem executar. Embora o IBM Watson possa filtrar milhões de páginas de documentos em segundos, ele nunca conseguirá fazer a manobra de Heimlich. Sempre haverá tarefas em que os humanos serão mais rápidos, mais confiáveis — ou mais baratos que a tecnologia.

5) Nunca existiu a competição Homem vs. Tecnologia

A construção constante da tecnologia como um inimigo deve parar imediatamente. Nunca existiu a disputa tecnologia versus humanos — uma espécie deles contra nós — já que as inovações tecnológicas sempre servem ao propósito de ajudar as pessoas. Estamos jogando no mesmo time. Não importa se é I.A., robótica, realidade aumentada ou virtual, devemos aceitar que eles têm uma influência massiva na maneira como o setor de saúde opera e, em seguida, começar a utilizar seu poder. Imagine o que a saúde poderia ser capaz se as habilidades de criatividade e resolução de problemas fossem combinadas com o poder computacional infinito e o recurso cognitivo da tecnologia.

A colaboração entre humanos e tecnologia é a resposta final. Um estudo para identificar o câncer de mama metastático através de Deep Learning mostra algo semelhante. Quando as previsões do sistema de aprendizagem profunda foram combinadas com os diagnósticos do patologista humano, as classificações das imagens, bem como os índices de localização dos tumores, aumentaram significativamente. Além disso, a taxa de erro humano diminuiu em 85%. As descobertas mostram que a inteligência artificial e os humanos são mais poderosos quando cooperam.

Nós, do DoutorApp, acreditamos que a tecnologia continuará a evoluir, novos robôs e algoritmos serão desenvolvidos, porém, os médicos sempre serão necessários. Com a ajuda dessas novas ferramentas os profissionais de saúde poderão prestar um atendimento de mais qualidade e menos propenso a erros. Insistimos no uso de qualquer ferramenta, software, solução ou dispositivo que possa ajudar o seu paciente a ter um tratamento mais adequado, e que possibilite o atendimento ao paciente de forma ideal.

Esse artigo foi uma adaptação de um artigo do blog The Medical Futurist, você pode acessar a versão original (em inglês) clicando aqui.


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